Elias de Caravlho Hilario

24/01/2009 19:22

A FLORESTA E SEUS ENCANTOS









Numa pequena cidade, cercada de florestas morava um menino que, carinhosamente o chamavam de PEDRINHO, uma criança de 10 anos e peralta como qualquer outra de sua idade. Seus pais chamavam-se Emanuel e Dona Rita, também tinha uma pequena irmã, sofrida pela vida dura e era chamava de Rosinha.
Sempre que PEDRINHO cometia qualquer arte sua mãe ameaçava contar para o pai, quando chegasse do trabalho. Como qualquer criança levada todo dia apresentava uma nova ladainha, para perturbar o cansado pai.
Com bastante saúde ele jogava bola e, na maioria das vezes quebrava vidraças de janelas dos vizinhos e, devido ao cansaço do trabalho, sem muita paciência o enérgico pai Emanuel pegava o pobre menino e batia muito, apanhava de dar dó, mas deixando de explicar o porquê ele apanhava e, assim ia passando a semana de segunda a domingo. O local não apresentava novidade criativa, por ser cercada de gigantescas arvores que escondiam muitos mistérios, contados pelos mais antigos.
Sua mãe, que ficava arrependida de ter contado as travessuras cometidas durante o dia nada podia fazer contra, pois alguém teria de pagar pelo vidro quebrado e era Emanuel, responsável pela educação de torná-lo social. Quando ela achava que as chibatadas eram demais, mesmo sofrendo conseqüências intercedia a favor da criança.
A irmã ROSA, de apenas 08 anos sofria com aquela agonia presente e, sempre ia testemunhando tal judiação com seu único irmão, apanhando como se já fosse adulto. Ele tinha consciência de que o pai tentava ensiná-lo da maneira que aprendera no passado e elas sofriam junto com ele, mas um dia daria um basta e tudo mudaria para melhor.
Nesse dia prometeu a si mesmo, que as surras iriam parar no dia que fosse embora, fugiria para bem longe daquele lugar e voltaria com uma formação profissional para buscá-los. Mas, ela nem sua mãe acreditaram, pois ele não tinha para onde ir. Logo a este fato não deram importância, como não comentaram com Emanuel que, ao cair da noite chegou.
Passando um mês, quando todos já haviam esquecido da promessa ele esperou e, enquanto o pai se aprontava para trabalhar ele, silenciosamente fingia que dormia na cama ao lado da irmã. Assim que ouviu o bater da porta e, após um tempo levantou-se, já com a mochila preparada deu um beijo de despedida na irmã.
Andando cautelosamente, foi ao quarto da mãe fazer o mesmo, sem que elas acordassem e saiu lentamente, abrindo a porta da cozinha saiu pelos fundos, na direção do mundo desconhecido que encontraria na floresta. Mesmo com medo se foi, desaparecendo entre os arbustos e, logo vieram as grandes árvores que cercam o lugarejo.

A hora passou e ROSA acordou, levando tomou um susto ao ver a cama de PEDRINHO vazia e lembrou de seu rosto ao deitar na noite anterior. Lembrando das historias contadas pelos antigos da região, imediatamente acordou a mãe RITA que, desesperada deu um salto da cama e correu ao quarto do filho. Neste momento agarrou-se ao travesseiro e de joelhos nos pés da cama, acompanhada da pequena ROSA começou a rezar, pedindo proteção para que nada acontecesse de mal a seu único filho.

Logo após resolveu chamar os poucos vizinhos e contar sobre o acontecido, deixando todos apreensivos. Imediatamente foi formando uma força tarefa voluntária, para em campo saírem à procuro do menino na floresta, mesmo desorientados sobre que direção deveriam seguir.
Na busca alguém lembrou que o pai deveria ser acionado, já outros achavam que a guarda florestal deveria ser chamada, devido à periculosidade que enfrentariam, mas no local de trabalho de EMANUEL o celular não funcionava. Então este, somente tomaria conhecimento dos fatos quando retornasse para casa.
Assim sendo, ao cair da noite ele chegou estranhando o silencio no local e cansado entrou em casa, quando tomou ciência dos fatos por RITA, que o acusava de maus tratos contra uma criança de apenas dez anos. Sentindo-se culpado pela fuga do único filho homem, mesmo sem descansar virou-se e da porta, observando o cair da noite decidiu não esperar por detalhes e foi encontrar os voluntários.
Embrenhou sem temor pela mata procurando seu filho que tanto desprezou e depois de caminhar bastante pela mata fechada encontrou os vizinhos, que já voltavam de um cansativo e inútil dia, e estes o olharam com ar de reprovação no ensinamento do filho.
PEDRINHO não fora encontrado porque todos seguiram a trilha do riacho, deduzindo que ao caminhar iria sentir cede, e nele saciaria sua vontade e depois descansar no leito. Mas ele estava bem longe de todos e, decidido a não voltar para casa entrava com furor pela selva adentro.
O cair da noite deixou PEDRINHO um pouco assustado e, quando passava por num atalho deparou com um inesperado e assustador desconhecido. Todo sujo e, também surpreso lhe perguntou para onde pretendia ir. No momento ele pensava ser o único que fugia, mas logo o desconhecido falou que estava no centro da selva e era perigoso caminhar sozinho naquela noite escura.
Notando que era grande seu cansaço lhe ofereceu abrigo em sua cabana para passar a noite e PEDRINHO, sem alternativa aceitou. Conversando muito para descontrair e passar o tempo o desconhecido lhe contou sobre a história da sombra na selva, que se faz presente na mente das pessoas, desconhecedoras dos benefícios e paz que a floresta nos trás.
Ouvindo as histórias PEDRINHO adormeceu protegido por seu amigo, que mesmo desconhecido demonstrava ser melhor do que seu próprio pai e, feliz sonhou com os vários encantos que encontrou nesta liberdade, quando podia passar a mão nos elefantes, zebras, macacos e girafas rodeadas de pássaros.

No dia seguinte foi despertado por diversas aves, enquanto o desconhecido, como fiel amigo preparava um delicioso chá de erva doce e, confiante da tranqüilidade reinante ele pode admirar todo encanto daquele lugar.
Depois que voluntários e família o procuraram por todo dia e noite na floresta sem encontrá-lo, pela manhã mais uma vez em sua casa eram preparadas novas buscas. Desta vez na companhia da Guarda florestal.
Imaginando que voltariam para procurá-lo, pela manhã o conhecedor das matas o levou ao riacho para, junto dos peixes nadarem e se lavar. Poucos minutos depois já estava ele se despedindo do novo amigo e, a seguir dar prosseguimento na caminhada vespertina com destino ignorado.
Auxiliados pelos guardas florestais, depois de muito caminharem seu pai e voluntários, divididos em grupos encontraram com o senhor da selva, ainda na beira do riacho, enquanto o outro grupo passava de canoa, atentos a margem do rio.
Perguntado sobre o menino logo foi respondido que não o viu, desconversando sobre o acontecido fez gesto de doente mental para despistá-los, enquanto PEDRINHO se afastava rapidamente e nas proximidades da rodovia, que o levaria para bem longe pediu carona a um carroceiro e chegou à sonhada rodovia principal, já não avistando mais a floresta fechada.
Depois de horas viajando chegou finalmente a cidade mais próxima e nesta, de médio desenvolvimento procurou fazer amizades para trabalhar em qualquer coisa. Assim, usando de sua inteligência e esforço incomparável conseguiu estudar e, se tornar alguém reconhecido no futuro por esta sociedade exigente.
Com o passar do tempo seus familiares e voluntários perderam as esperanças de encontrá-lo, mas sua mãe e irmã tinham certeza de que ele, um dia daria noticias e todos tomariam conhecimento das proezas daquele menino travesso e ao mesmo tempo de ouro.
O tempo passou rápido demais e, como um raio de luz PEDRINHO terminou os estudos e se formou em Direito, como advogado concorreu a vagas no Serviço Público Federal. Bem classificado, logo foi aprovado e convocado para trabalhar em Brasília.
Depois de 06 meses decidiu voltar ao lugarejo de sua terra natal para rever a família e contar sua vitória com volta por cima, avisando que por amar demais nunca os esquecera e ao encontrá-los teve uma decepção muito forte. A pequena casa estava em ruínas e seus pais doentes, sem forças para cuidar da terra e assistidos somente pela bela irmã ROSA que, quando o viu quase não reconheceu e mesmo assim sorriu de felicidade, partindo para o abraço fraternal.
A partir desse momento tudo foi alegria, compartilhada até pelos vizinhos que logo se apresentaram e não pouparam lágrimas pelo sofrimento passado.
A partir do momento ele passou a ser o Dr. PEDRO e lembrado como o moleque travesso, que restaurou a alegria do lugar. Agora homem vencedor deixou que os moradores lhes pedissem o que quisessem, e assim, sendo foi solicitado um acesso mais rápido para o desenvolvimento entre a cidade e o local, com pavimentação e transporte, saúde e escolas para a população.
Imediatamente tudo foi anotado em um pequeno bloco e posteriormente levado para o centro do poder em Brasília, a fim de conseguir verbas com o governo federal. Não demorou muito e, meses depois os moradores se assustaram com o movimento barulhento de máquinas abrindo caminho pelo mato. Com ele na frente, pedindo passagem para entrar e deste dia em diante todos evoluíram no local, sem precisar se imigrar para os afastados centros.
Desde então, todos idosos tiveram tratamentos de saúde adequada nas proximidades de casa e se orgulharam do filho peralta, que tanto trabalho dava aos pais.

enviada por EDHILARIO






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