Elias de Caravlho Hilario

24/01/2009 19:25

VISÃO NOTURNA

Esta é uma estória verdadeira, logo perigosa a viajantes noturnos. Se o leitor não acredita no sobre natural, então é aconselhado a não ler o mesmo.

Era 19; 00 hora de uma sexta feira do ano 1989 e GUTEMBERG, que ingressou na empresa como maquinista especial, neste dia completava dez anos. Ele começaria a trabalhar na máquina diesel numero 3310 de operador, acompanhado pelo auxiliar ROBSON em Deodoro.
Depois da substituição do colega que trabalhara por todo dia, as 22; 00 recebeu o comunicado de que fora designado pelo controle de trafego para levar a locomotiva, sem vagão ao pátio do Município de Japerí RJ, e logo, em seguida seu auxiliar tratou de preparar a locomotiva para dar partida.
Tudo em ordem a máquina saiu do desvio, seguindo lentamente para a linha numero 01 do centro, sem anormalidade. Do lado contrário pela janela um vento frio batia no rosto dele, enquanto observava a estrada deserta na noite fria, que após muro margeava a linha férrea.
Não demorou muito já se passava por Nova Iguaçu, logo depois ROBSON, conduzindo reclamou de um frio constante subindo pelas pernas. Calado GUTENBERG notou que estava passando sob uma ponte da Via Dutra.
A este fato procurou não alarmar, e, como responsável pela condução decidiu não dar importância, devido a longa estrada de ferro que, ainda teriam pela frente na noite, ate chegar ao destino.
Chegando à estação de Japerí as 22; 55 minutos, por solicitação do agente de movimento a referida locomotiva foi desviada no pátio e, posteriormente engatada a cinco vagões de pedra existente no local. Em seguida, enquanto o auxiliar ROBSON praticava manobras e vistoriava as condições de tráfego dos vagões, como operador responsável GUTEMBERG providenciava os boletins que dava destino a mencionada carga.
Cansado de trabalhar sozinho o auxiliar, após tudo checado e liberado para trafegar se queixou de sonolência, também pudera, já passava das 23; 40 minutos, então passei para o controle da maquina carregada com os vagões, falando a ele que forrasse papelões no assoalho da locomotiva e fosse descansar, porém, caso precisasse o acordaria.
Novamente, lentamente a maquina foi deixando o pátio da estação, agora pela linha 02, quando já marcava no relógio 23; 55 minutos. Dando prosseguimento na partida, acelerava a locomotiva e ela patinava nos trilhos para deslocar os vagões, devido a chuva fina localizada que caia no momento. Agora ROBSON já dormia um sono profundo e nada podia notar.
Com certa dificuldade chegou-se ao trecho e tudo transcorria dentro dos conformes. Mas, ao aproximar novamente da ponte sob a Via Dutra Gutemberg reparara que o sinal apresentava a cor verde, dando condições de trafego normal ate o próximo e, ao lado deste observou algo estranho, que puxava minha atenção.
Um pouco mais de atenção ao obstáculo, com nitidez pode definir que era uma bonita mulher, ainda jovem num lindo vestido preto, vaidosamente destacando os cabelos loiros. Não tinha mais do que 30 anos e olhava fixamente para a maquina, enquanto o chamava com ritmos de seus dedos ensaiados.
De todas as maneiras tentou ele desviar a atenção, ocupando a mente na fina chuva que caia, pois já tinha conhecimento de contos, que naquela estrada uma mulher loira aparecia nas madrugadas para causar acidentes fatais a caminhoneiros desavisados. Mas, já era tarde e não teve jeito, sua atenção estava presa a ela. Tinha de ficar olhando, enquanto a locomotiva era empurrada pelos pesados vagões de pedra e, ao passar ela se virou, enquanto continuava a chamar, até que ficou para trás abanando as mãos vazias.
De imediato, GUTEMBERG acordou ROBSON para relatar o acontecido, mas foi em vão, pois mandou que esquecesse o acontecido. Prosseguindo com a viagem, já entrando no pátio de Comendador Soares observou duas crianças que brincava de bola na plataforma, sendo um menino e uma menina de aproximadamente 05 anos e a locomotiva se aproximando com velocidade, devido ao peso da carga e, quando faltavam uns cinqüenta metros da estação a bola caiu nos trilhos e, de olhos arregalados viu em seguida o menino descer para pega-la.
O controle em suas mãos deu para sentir e escutar as rodas quebrando ossos da pequena criança, mas nada podia ser feito a não ser prosseguir em frente com a carga. Mais apavorado, ainda olhou para trás e pode ver a irmã dele, desesperada e chorando muito na plataforma de embarque.
Neste momento, em choque ele acordou o auxiliar ROBSON e, mais uma vez contou sobre o ocorrido, passando de vez o controle e permaneceu chorando, pois nunca pensou que um dia fosse acabar com a vida de uma criança.
A chegada em DEODORO foi a 00; 50 minutos e, logo despertando o agente de movimento solicitou-lhe para que fizesse contato com a estação envolvida, para fins de confirmar a ocorrência, mas, para surpresa de GUTEMBERG nada foi encontrado para constatar tal incidente naquela noite.

enviada por EDHILARIO






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